
Tem uma coisa no Rio que dói na gente.
Não sei se dói o calor, se dói a sede. Se é o mar quando está bravo. O mar refletindo a luz do sol, brilho batendo direto no olho. Dói a areia quente no pé. Dói o gelado da cerveja na garganta. Dói a cachaça vagabunda disfarçada no limão com açúcar.
A praia com certeza dói.
Doem as curvas. É muita curva, morro, túnel. Muita morena.
Dói a diferença, a desigualdade. A farinha do mesmo saco.
Dói o moleque pedindo. Dói o velho pedindo. Dói não saber o que fazer, não querer saber.
Também não sei se é o salto plataforma, a roupa ajustada. O suor colando a camisa de botão na pele.
Dói o sorriso das pessoas. Dói a ignorância, a ingenuidade.
Dói criatividade. Doem cores se esparramando. Exibidas.
Tem uma hora que dói ver tanto verde. Tanto tom de verde.
Dói a ponta do pé quando samba, o lado da bunda, o joelho quando é funk. Dói quando a língua enrola querendo falar inglês.
Mas o português dói mais. Mais no fundo. No subjuntivo, na crase, no pronome oblíquo.
Dói a malandragem, a cafajestagem.
Doem gentilezas que geram outras gentilezas.
Dói cada um dos dois beijinhos.
Parece dor de amor impossível. Mas não pode ser.
Porque no Rio todos os amores são possíveis.
Dói a beleza. Dói a gente se sentir vivo.
Acho que é isso.
Às vezes dói um carnaval inteiro em mim.
Não sei se dói o calor, se dói a sede. Se é o mar quando está bravo. O mar refletindo a luz do sol, brilho batendo direto no olho. Dói a areia quente no pé. Dói o gelado da cerveja na garganta. Dói a cachaça vagabunda disfarçada no limão com açúcar.
A praia com certeza dói.
Doem as curvas. É muita curva, morro, túnel. Muita morena.
Dói a diferença, a desigualdade. A farinha do mesmo saco.
Dói o moleque pedindo. Dói o velho pedindo. Dói não saber o que fazer, não querer saber.
Também não sei se é o salto plataforma, a roupa ajustada. O suor colando a camisa de botão na pele.
Dói o sorriso das pessoas. Dói a ignorância, a ingenuidade.
Dói criatividade. Doem cores se esparramando. Exibidas.
Tem uma hora que dói ver tanto verde. Tanto tom de verde.
Dói a ponta do pé quando samba, o lado da bunda, o joelho quando é funk. Dói quando a língua enrola querendo falar inglês.
Mas o português dói mais. Mais no fundo. No subjuntivo, na crase, no pronome oblíquo.
Dói a malandragem, a cafajestagem.
Doem gentilezas que geram outras gentilezas.
Dói cada um dos dois beijinhos.
Parece dor de amor impossível. Mas não pode ser.
Porque no Rio todos os amores são possíveis.
Dói a beleza. Dói a gente se sentir vivo.
Acho que é isso.
Às vezes dói um carnaval inteiro em mim.
6 comentários:
q lindo juli.
Acho que tá faltando uma voltinha por aqui...
Que tal? Pra matar saudade e a tal da dor de cotovelo,né?
F. de Mello
Perfeito, Juli!
Escrevi com o corazón :o)
A mi, lo que mas me duele desde hace mucho tiempo, es tu ausencia.
papucho
Juli, passe no blog do momo e depois de ver seu comentario lá, resolvi passar aqui.
Preciso dizer q este texto está fantástico!! Parabéns mesmo!!
E dói mesmo! quem tá longe que sabe! =)
Beijos
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